sábado, 10 de dezembro de 2016

Espírito do Leicester

  No final da temporada 2014/2015 o pequeno Leicester lutava para não cair na Premier League. O time teve uma sequência de jogos contra times grandes e assisti todos eles. Em todas as ocasiões, conseguiu viradas ou empates milagrosos no final das partidas e fiquei impressionado com o espírito de luta da equipe. Além disso, comentei com meu pai e amigos: "Tem um tal de Mahrez que é canhotinho habilidoso e ainda muito eficiente nas bolas paradas, tem que ficar de olho. Também tem um tal de Vardy que corre o jogo todo e tem um faro de gol raro". Na temporada seguinte, todos puderam ver isso.

  Depois de se livrar do rebaixamento veio a temporada 2015/2016 e eu quis continuar acompanhando o time de perto e a cada jogo eu me impressionava mais. Fui adicionando alguns nomes a lista de jogadores que me impressionaram, como os de Kanté, Schmeichel e Drinkwater. Mesmo assim, a cada rodada, eu e muitos outros falávamos "Uma hora esse time vai acabar tendo uma sequência ruim e indo parar no meio da tabela", depois "Eles vão acabar apenas se classificando pra Champions, não vai dar pro título". Mas deu. 

  Além de jogadores qualificados e um ano tão bom dos gigantes ingleses, os Foxs ganharam a Premier League por lutarem muito e todo jogo. Nunca havia assistido um time com tanta garra, a expressão "jogo perdido" não existia para eles. Taticamente falando, Ranieri montou um time num 4-4-2 em que os dois atacantes (Vardy e Okazaki) pressionavam muito lá na frente e o resto do time todo marcava muito. Quando o time tinha a bola, muitas vezes o esquema se transformava em um 4-2-3-1 com Okazaki fazendo um camisa 10. 

  O goleiro Schmeichel, filho do grande ídolo do United Peter Schmeichel, também goleiro, passava muita segurança. Fuchs era sinônimo de técnica e experiência na lateral esquerda. A dupla de zaga era formada por Huth, um zagueiro rebatedor, e Morgan, zagueiro com muito vigor físico. Completando a defesa, Simpson era o ponto fraco do time, mas a falta de técnica era compensada pela vontade. 

  No meio de campo, Kanté fazia um meia "box-to-box", como falam na Ingaletrra, ou seja, um jogador que ataca e defende com a mesma intensidade. Não há jogador em que o adjetivo "incansável" se encaixe melhor. O outro meio campista mais recuado era Drinkwater, jogador com enorme facilidade em distribuir o jogo. Do lado esquerdo, Albrighton também era um dos mais raçudos da equipe. Já pelo lado direito, Mahrez era o grande craque do time e a descrição que usei na primeira vez em que o assisti se encaixa bem. 

  O ataque tinha Okazaki, que também não era um jogador maravilhoso, mas, além de muita vontade, tinha um papel importantíssimo pressionando na frente e alternando seu papel como segundo atacante ou meia armador. O outro grande jogador da equipe era o centroavante Vardy, muito veloz e com uma grande capacidade de finalização. 

  A única grande dificuldade do time na parte final do campeonato era que os times menores passaram a respeitá-lo muito e, fora de casa, se retrancavam, chamando o Leicester para comandar o jogo. O problema era que o time foi formado para contra atacar, mas a vontade fez com que os Foxes vencessem muitos desses jogos. 

  Na atual temporada, o objetivo do técnico Ranieri foi manter a base do time e também essa vontade. Acho que com o dinheiro da primeira colocação no campeonato e da venda de Kanté, talvez pudesse ter contratado mais e pensado ainda mais alto, até para o mesmo não ter que dizer que o objetivo de 2016/2017 seria evitar o rebaixamento.

  As mudanças para esse ano foram a venda de Kanté para o Chelsea e a chegada de Mendy, cujas características são muito semelhantes, mas a qualidade nem tanto. Além disso, o ótimo atacante Slimani passou a ser titular no lugar de Okazaki, mas aí já há uma grande mudança de estilo de jogo, já que o recém chegado argelino é um centroavante matador. 

  Apesar da péssima colocação no campeonato inglês, a classificação em primeiro na fase de grupos da Champions League mostrou que o time manteve a raça. Mas foi hoje que o Leicester conseguiu ter uma partida digna da temporada do título, o time aplicou 4x2 no Manchester City, de Pep Guardiola. Fico, portanto, na expectativa de que o time volte a apresentar aquele futebol que fez bem, muito bem, para os amantes do esporte.



  Pedro Werneck

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Projeção Vasco 2017

  Vasco fez uma temporada de 2016 desastrosa. É verdade que conseguiu o objetivo de subir de divisão, mas o fato de ter dificuldades para alcançá-lo já foi um absurdo. Passando por dificuldades financeiras e com um presidente nada confiável, Eurico Miranda, os vascaínos que conheço não tem muita perspectiva de melhora. 

  A esperança que os torcedores devem ter é que o time faça como o Botafogo, contratando com os pés no chão, mas ainda assim formando um time competitivo. Depois de um fim de 2015 bom em relação ao resto do campeonato, Jorginho passou a ser adorado, mesmo com a queda de divisão. Com isso e a conquista muito enganadora do estadual no ano seguinte, Eurico acreditou que o time estava pronto para voltar à série A sem menor dificuldade. 

  A grande verdade é que o time de São Januário tinha um elenco muito velho e, se por um lado isso indica experiência, por outro, indica desgaste físico. E isso ficou bem claro. Depois de um começo de campeonato que continuou indicando um ano fácil, o final da temporada fez com que o time passasse muitas dificuldades. 

  Para o ano que vem é evidente que o time carioca deverá passar por uma grande renovação. Alguns jogadores como Martín Silva, Luan, Nenê e Andrezinho podem continuar no time titular. Rodrigo, Mádson, Julio César, alguns garotos da base e muitos outros podem continuar no elenco, mas indo para o banco ou, no mínimo, tendo uma sombra para brigar por posição. 

  O novo técnico Cristóvão Borges já fez bom trabalho no Gigante da Colina, mas não deixou saudade nos últimos clubes por onde passou. O torcedor tem que ter em mente que ele não fará milagre com o atual elenco, mas pode até fazer uma boa passagem com os devidos reforços. 

  Aí vai um possível time do alvinegro carioca pra 2017:

  Martín Silva é ótimo goleiro e não há motivos para perder a titularidade. Mádson não é um grande jogador e vem sendo criticado, mas com a falta opções no mercado e por ainda ser jovem (24 anos) pode ser titular se houver um reserva que até pode ser mais experiente. A zaga Rodrigo e Luan já tem muito entrosamento devido ao tempo jogando juntos. Luan é jovem e excelente jogador. Rodrigo é mais velho e não tão bom assim, por isso um jogador mais novo com potencial no banco é imprescindível. Completando o sistema defensivo, Marcelo Hermes já está fora dos planos do Grêmio, com 21 anos poderia ser peça chave na tal renovação, o problema é o interesse de clubes portugueses. 
  Willian Farias tem 27 anos e é volante do Vitória. No Coritiba, fez grandes temporadas, depois de uma passagem apagada no Cruzeiro, parece ter retomado um bom futebol no Vitória, além do poder de marcação, se destaca pelo ótimo chute de fora da área. João Schmidt tem 23 anos, marca bem, chega bem ao ataque e tem muito vigor físico, além de bom passe. Seu contrato com o São Paulo acaba no fim do ano e ele não tem muito interesse em renovar, o problema é que clubes europeus já abriram o olho pro jogador, mas, quem sabe, o Vasco pode oferecer um bom salário para concretizar outra contratação que encaixaria na meta de renovação do elenco.
  Andrezinho e Nenê são os melhores jogadores no setor ofensivo já no elenco vascaíno. O segundo tem tudo para comandar o time na próxima temporada como fez em 2015 e parte de 2016. Erik é jogador do Palmeiras, jovem com grande potencial e que pode jogar aberto ou como centroavante, ele não tem sido aproveitado e o próprio jogador poderia se interessar por um empréstimo. Já Rafael Marques, também versátil jogador do Porco, tem contrato apenas até o fim da temporada e, apesar de também ser mais velho (33 anos) é um grande jogador.



  Pedro Werneck












Projeção Flu 2017

  A temporada 2016 terminou com o Fluminense na parte debaixo da tabela. Desde o começo do ano, eu dizia que era minha previsão para o fraco time tricolor. A chegada de reforços ao longo do ano e uma boa fase durante um período de tempo deu esperanças de Libertadores aos tricolores, mas logo o time caiu novamente de produção e o sonho ficou distante.

  O time tricolor não é totalmente descartável, na verdade, há muitos jogadores que ainda podem ser aproveitados. Temporada que vem se resumirá ao Brasileirão, buscando brigar, no mínimo, por classificação para a Libertadores. A defesa do Fluminense não foi bem, como já se esperava. E a falta de um atacante matador em boa fase também fez que o ataque marcasse pouco.

  O maior foco do Flu tem que ser a permanência de Gustavo Scarpa. O meia atacante versátil foi o destaque tricolor nessa temporada e é disparado o melhor jogador do elenco. O problema é que fontes o colocam próximo do Palmeiras. Torcedor de uma melhora do futebol carioca, espero muito que isso seja mentira.

  No gol, Julio César e Diego Cavalieri não são espetaculares, mas dão conta do recado. Na zaga, acho que Henirque e Renato Chaves ainda podem ser aproveitados. Há muitos anos digo que Gum é péssimo zagueiro, e cada vez tenho mais certeza. Já Renato, ex-ponte, foi muito mal esse ano, mas pelo bom ano no time paulista, ainda acredito que pode crescer de produção.

  A dupla de laterais titular, William Matheus e Wellington Silva, também não é maravilhosa, mas dentro do futebol brasileiro também não chega a ser ruim. Assim como na zaga, acho que se houver a possibilidade de acertar com um bom nome dentro da realidade financeira do clube que pudesse assumir a titularidade poderia ser uma boa opção, mas também não é a prioridade. 

  No meio de campo, Édson e Douglas são bons marcadores e disputarão vaga com Orejueda, jogador do Independiente del Valle que já acertou pré-contrato com o Flu. Cícero, pra mim, é um dos melhores segundos volantes do Brasil e tem que ser mantido. Recém chegado Marquinho, que está na sua segunda passagem pelo time carioca, pode ser o reserva imediato dessa posição. Para vestir a 10, como disse anteriormente, a prioridade deve ser manter Scarpa, pelo menos até o jogador Sornoza, um dos destaques da libertadores pelo mesmo Independiente del Valle e que também já assinou um pré-contrato, se firmar no futebol brasileiro.

  Do lado de campo, Wellington chegou e me surpreender muito positivamente, um jogador rápido e habilidoso, também em sua segunda passagem pelo Fluzão, seu futebol evoluiu muito na Europa. Também considero Osvaldo grande jogador, mas está em má fase. Cabe à diretoria avaliar se deve continuar no clube podendo subir de produção ou se, por conta do alto salário, deve ser vendido. 

  No comando de ataque, Marcos Jr. rendeu bem em alguns momentos fazendo um falso 9. Como também é um jogador que pode jogar pelos lados e como meia atacante, deve continuar no elenco. Henrique Dourado fez ótimo campeonato no Palmeiras, mas ainda não deslanchou nas Laranjeiras. Pode ser útil para o elenco.

  Quanto à reforços, na zaga é difícil de pensar. Parece que todos os clubes brasileiros desejam os mesmos jogadores, pela falta de opções. Portanto, se o Flu conseguir levar um deles, ótimo, se não, deve pelo menos trazer jogadores para a reserva. Nas laterais, situação é bem parecida. 

  O tricolor carioca já está bem servido de meio campistas. Para os lados, não só deve chegar um titular, como também mais 2 ou 3 reservas. Esse jogador de lado também pode ser um armador, o que mudaria um pouco o estilo. E um centroavante de alto nível também seria muito bem vindo nas Laranjeiras.

  Segue aí uma sugestão de time para 2017:



  Thiago Neves é um jogador com grande identificação com a torcida e todo ano é desejado por pelo menos 5 clubes brasileiros. Já Bou, é um ótimo atacante argentino que joga no Racing, pode render como renderam Pratto e Barcos, por exemplo.



  Pedro Werneck

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Reconstrução da Chape

  Após o trágico acidente da Chape, muitos se preocuparam em como o clube iria se reerguer. A verdade é que nada apaga a tristeza da perda desses guerreiros e a dor dos amigos e familiares. Mas como time, eles tem tudo para se reerguer. Com os pés no chão, tentando manter o perfil dos jogadores nos últimos anos, o time de Chapecó continuará subindo dentro do futebol brasileiro.

  O título da Sulamericana, dado pela Conmebol, após o lindo gesto do Atlético Nacional que abriu  mão de tal rendeu 17 milhões à Chapecoense. A CBF doou um dinheiro para ajudar em despesas como a do velório. É verdade que uma parte do dinheiro será usado, corretamente, para ajudar os familiares das vítimas. Mesmo assim, ainda sobra um montante que pode possibilitar uma reconstrução.

  Por esses motivos, a Chape não deve montar um time como alguns vem sugerindo com Ronaldinho, Kaká, Guðjohnsen, Adriano, etc. Isso fugiria completamente ao perfil do time catarinense. É claro que talvez um nome desses gerasse um marketing que ajudaria o clube, mas todos esses "aposentados" juntos seria um desastre. Por outro lado, o ato dos clubes grandes de emprestarem jogadores gratuitamente foi muito bem intencionado, mas eles não são obrigados a aceitarem todos os jogadores. Como, inclusive o novo presidente já deixou claro, manterão os pés no chão e poderão, por exemplo, pegar vários jogadores por empréstimo para compôr o elenco e montar um onze titular com jogadores contratados baratos ou então em fim de contrato. 

  Poderia fazer uma imensa lista de nomes que cairiam bem. Seria possível incluir jogadores que os clubes estariam dispostos a emprestar bons, jogadores afastados em clubes que poderiam chegar de graça, jogadores experientes, mas ainda muito bem, entre outros. Mas por enquanto resolvi colocar apenas uma sugestão de um possível time titular.



  Vágner é hoje o terceiro goleiro do Palmeiras. Com 27 anos, se destacou no Avaí, mas não foi bem no Porco. Poderia na Chape ver uma oportunidade de recuperar o bom momento. Poderia chegar por empréstimo ou até em definitivo por um preço barato.
  João Pedro também é do Palmeiras, jovem jogador, poderia facilmente chegar por empréstimo. Tem muito potencial e poderia deslanchar em Santa Catarina.
  Renato Santos é um jogador experiente. Pertence ao Flamengo, aonde jogou muito bem. Mas com alguns problemas de lesões e desavença com treinador, acabou sendo sucessivamente emprestado, atualmente para o Macaé. O Fla não dificultaria a liberação do jogador gratuitamente.
  Roger Carvalho fez ótima Série B pelo Botafogo e se transferiu para o Palmeiras, aonde sofreu com lesões e quase nunca é utilizado.
  Chiquinho é um lateral bem ofensivo. Foi bem na Ponte e viveu alguns bons momentos no Santos, time que detém seus direitos. Hoje está emprestado ao Flamengo, mas quando voltar pode ser novamente emprestado.
  Matheus Salles também é jogador do Palmeiras. Apareceu muito bem quando subiu para o time profissional, mas agora é pouco utilizado. Um empréstimo faria bem aos dois clubes.
  Cuéllar, como falei no post do Flamengo, perderia espaço com a chegada de outro volante e a permanência de Márcio Araújo. Mas como é ótimo jogador e ainda poderia ter oportunidade no Flamengo, poderia ser emprestado à Chape para se adaptar de vez ao futebol brasileiro.
  Como camisa 10 e comandante da equipe coloquei o Dátolo. Jogador está afastado no Atlético MG, mas é excelente jogador. O problema é que clubes grandes como o São Paulo também desejam o jogador e aí não sei se o jogador gostaria de jogar no time de Chapecó.
  Para os lados do campo, Paulinho seria uma opção muito boa. Já viveu grande fase no Flamengo e foi emprestado ao Santos, aonde o grande número de opções impediu que tivesse mais oportunidades. Seu contrato com o Fla acaba no fim de 2018. Poderia ser emprestado por dois anos, pagando apenas parte dos salários e depois ficaria em definitivo, se essa fosse a vontade do clube catarinense. 
  Jogador muito rápido, William Barbio já jogou na Chapecoense e se deu muito bem com a torcida, como vem sendo emprestado pelo Vasco, poderia voltar para o lugar em que foi muito feliz.
  No comando de ataque, Luis Henrique é uma promessa do Botafogo. Em 2015, apareceu brilhando no profissional, mas em 2016 acabou tendo poucas oportunidades. Mais uma vez, um empréstimo ótimo para ambas as partes.



  Pedro Werneck

Perfume palmeirense

  Palmeiras se consagrou campeão adiantado do Brasileirão e acabou com o cheirinho que eu, por sinal, sentia muito forte. Foi um título merecidíssimo, com uma série de fatores que acarretaram na conquista. Para começar, considero que eles tiveram esse ano o melhor treinador brasileiro atualmente depois do Tite. Cuca foi muito bem no Botafogo, no Atlético MG e agora no Palmeiras, então seus grandes trabalhos não são novidade.

  Em 2015, quando Marcelo Oliveira assumiu o Palmeiras, muito se falava do elenco muito grande do Porco e como isso poderia complicar o treinador. E complicou. Marcelo não conseguiu arrumar um time padrão, e muito menos fez um revezamento que tivesse sentido de acordo com os jogos. Um dos méritos do Cuca foi justamente não ligar para esse elenco tão grande e escolher as peças que seriam úteis e como seriam utilizadas.

  Cuca também soube utilizar algumas peças de uma maneira que muitos não enxergavam. Por exemplo, quando o Jean chegou, pensava que jogaria de volante e que não fazia sentido, pois haviam muitos jogadores dessa posição no elenco, mas ele retomou suas origens do São Paulo, foi jogar na lateral direita e o foi o melhor da competição nessa função. A chegada do Moisés, mesmo sendo um jogador que eu gostava muito na Portuguesa, também critiquei, por achar que haviam camisas 10 melhores e volantes também. Já Tchê Tchê eu apenas sabia que era um jogador jovem e versátil, mas nunca pensei que seria justamente utilizado como primeiro homem de meio de campo.

  O esquema que o time paulista usou no campeonato foi uma espécie de 4-3-3 no estilo Barcelona, porém com os jogadores de lado ajudando muito mais na marcação. Um time no primeiro turno que ainda não estava totalmente definido dependeu muito de destaques individuais, principalmente de Gabriel Jesus que nessa primeira parte jogou demais, com muitos gols e assistências. No segundo turno, com o time bem definido, o futebol coletivo prevaleceu, incluindo jogadas muito bem trabalhadas, até nas bolas paradas. Além de passar a usar um time mais defensivo dependendo dos jogos, a consolidação do zagueiro Mina como titular fez o Palmeiras tomar muito menos gols no segundo turno. 

  No gol, Prass era o titular absoluto e incontestável até se lesionar. Com o jovem Vágner em má fase, Cuca "descobriu" o goleiro Jaílson de 35 anos, que salvou o time em inúmeras oportunidades. Na lateral direita, já falei sobre o belíssimo campeonato de Jean. Na zaga, a dupla Mina e Vitor Hugo foi muito segura e se destacou  também com muitos gols em bola parada. Na lateral esquerda, Zé Roberto foi titular na maioria dos jogos, Egídio em outros. Confesso que apesar do vigor físico aos 42 anos impressionar, achei que Zé foi o ponto fraco do time. Ainda assim, muito melhor que o Egídio, jogador irregular, capaz de jogadas bizarras e jogadas incríveis, mas que certamente tem estrela, chegando ao seu terceiro título do Brasileirão.

  O meio campo mudava dependendo do jogo. Tchê Tchê, jogador rápido e que vai bem atrás e na frente, e Moisés, melhor e mais completo meio campista do campeonato, também se destacando na defesa e no ataque, eram os nomes certos, mas seus respectivos posicionamentos dependiam do terceiro homem. Esse outro meio campista variava de acordo com a necessidade de um time mais defensivo ou ofensivo pela visão do Cuca. Quando queria sair mais, colocava o meia Cleiton Xavier, ótimo jogador, mas que foi irregular, puxando Tchê Tchê pra frente da zaga e Moisés pra segundo volante. Para solidificar a defesa, colocava Thiago Santos, que executou bem seu papel, ou Gabriel, excelente jogador, a frente da zaga e os outros dois mais adiantados. Outra variação de Cuca foi utilizar Fabiano na lateral e Jean no meio. 

  O trio de ataque também foi importantíssimo. Dudu foi regular durante todo campeonato, criando muitas jogadas todo jogo, quebrando a defesa com fantásticos dribles e passes. Roger Guedes, uma das principais revelações do campeonato, surpreendeu a todos, pois um jogador recém chegado e desconhecido virou titular dentro de um elenco recheado e não fez feio, muito habilidoso e com grande potencial. Na frente, Gabriel Jesus, teve o ano da sua vida, apesar da queda de produção no final do campeonato, comandou o time, sendo o artilheiro do Palmeiras no campeonato. Quando começou a ser utilizado como centroavante era visto como um falso 9, mas acabou se firmando como ótimo finalizador, porém também armando jogadas e caindo pelos lados, não a toa sendo titular da seleção brasileira de Tite.

  Esse time do Cuca teve momentos de brilhantismo e momentos de pragmatismo, mas o título nunca esteve longe durante todo o ano. Flamengo, Santos e Galo fizeram ótimos campeonatos, mas não conseguiram a regularidade necessária para ganhar uma competição de pontos corridos.

  Cuca já anunciou que não fica no clube ano que vem, os motivos divulgados pela imprensa são diversos: desentendimento com jogadores e diretoria, decisão familiar, ele quer estudar mais, proposta da China, etc. O fato é que o próximo clube que tiver esse grande treinador será um clube de sorte. O Palmeiras segue com um timaço para disputa da Libertadores, vamos ver se o substituto, ainda não definido, manterá o alto nível.

  Finalizo essa postagem com um golaço coletivo do Palmeiras que vale muito a pena ver https://www.youtube.com/watch?v=ahcmLwRqm34 



  Pedro Werneck

Guerreiros de Chapecó

  Nesse tempo em que fiquei ausente aqui do blog, aconteceu o mais trágico acidente da história do futebol. Esse acidente me comoveu de tal maneira que passei alguns dias sem pensar em nada além disso. Chorei, e chorei muito. 

  A Chapecoense é o símbolo de alegria no nosso futebol, já há muito tempo ela vinha unindo torcidas rivais que queriam torcer juntos para esse carismático time. Eu estava louco para torcer para eles na final contra o Atlético, quando vi a notícia. Passei a madrugada daquele dia 29 sem dormir, acompanhando pelo Facebook, televisão e Twitter todas as notícias que chegavam. Quando finalmente consegui cair no sono, a mídia passava a notícia de 10 sobreviventes confirmados e que provavelmente esse número ainda aumentaria muito, já que não havia confirmação de mortes. 1h30 depois acordei com a notícia de que apenas 5 haviam sobrevivido. Foi um choque muito grande. 

  A partir daquele momento, passei a entrar em grande reflexão e enorme comoção. Felizmente, eu não fui o único, esse sentimento foi o mesmo de várias pessoas, inclusive as que constituem clubes e instituições. Eu me emocionei com vídeos, textos, etc. que circulavam nas redes nos dias seguintes, mas o que mais me tocou foram as homenagens. Muitos delas podem não significar tanto para os familiares e amigos das vítimas, os que mais sofrem, mas passou um sentimento de esperança e união revigorante. Do Real Madrid ao Íbis poderia citar cada uma delas, mas a que mais me chamou atenção foi a do Atlético Nacional.

  Os colombianos não tinham obrigação de abrir mão do título da Sulamericana, poderiam esperar a decisão da Conmebol, mas eles abriram. Não tinham obrigação de reunir 100 mil torcedores dentro e fora de um estádio para organizar uma cerimônia homenageando a Chape, mas eles fizeram. E foi lindo. 

  Recentemente, discuti com algumas pessoas que acharam que a mídia estava exagerando na repercussão do acidente. Além de não ser comum como pensam um acidente aéreo envolvendo a morte de mais de 70 pessoas, o fato de ser um time de futebol deixa mais comovente, não pelo dinheiro envolvido, mas sim porque houveram pessoas perdendo cerca de 40 amigos ali. Indo adiante, atingiu também os vários e vários fãs daquele time que tinham aqueles jogadores como ídolos. 

  É verdade que talvez a mobilização e comoção fosse muito importante em outros momentos em que não ocorre. Mas quem sabe, essa sirva de exemplo. Um exemplo de que pessoas distintas podem se unir e se emocionar. E que essa união é o que a humanidade mais precisa em um momento em que a polarização parece ter se tornado um vício. Vamos trazer para nossa rotina esse lado de união que o futebol é capaz, e não achar que qualquer opinião distinta deve virar um verdadeiro Fla x Flu. 



Pedro Werneck

Desvendando a final da Copa do Brasil

  Desculpem a ausência nos últimos meses, hoje resolvi retomar esse blog. Ontem houve o jogo entre Grêmio e Atlético MG pela final da Copa do Brasil, e o assunto não poderia ser outro. Título justíssimo para o time gaúcho, que jogou muito mais nos dois jogos.

  Meu palpite quando foi decidida que essa seria a final era que o Galo ganharia, pois, time por time, é superior. O problema é que os mineiros mostraram uma imensa desorganização que acarretou na demissão do Marcelo Oliveira após o primeiro jogo. 

  O Atlético sofreu com muitas lesões ao longo de todo campeonato brasileiro e Copa do Brasil. Por isso, fazendo um balanço final, a temporada de Marcelo levando o time a final da Copa e quarto lugar do campeonato não foi ruim, mesmo tendo em mãos, para muitos, o melhor time do Brasil. 

  O maior problema do Galo era que ele utilizava um 4-2-3-1 com muita poucas variações. Apesar de esse ser o esquema que eu mais gosto no futebol, ele necessita que os pontas sejam sempre muito criativos, pois a maior parte das jogadas são criadas por tabelas e triangulações que terminam em cruzamento ou jogada individual dos jogadores de lado. Por muito tempo, isso funcionou muito bem, principalmente com o Robinho pelo lado esquerdo. No melhor momento do time no campeonato, o apoio dos laterais também dava certo e os camisas 10 Cazares e, depois de suas lesões e afastamentos, Otero jogavam muito. O centroavante Fred sempre colocava pro gol. 

  Durante a temporada, Marcelo também testou jogar com Pratto e Fred, mas viu que não dava certo. Se durante todo o ano, o elenco inteiro estivesse a disposição do técnico o time seria mais regular, mas isso não aconteceu. E aí ficava claro que quando os destaques individuais não apareciam, o coletivo não funcionava. 

  Infelizmente para os atleticanos, esses problemas ficaram evidentes no primeiro jogo da final. O destaque individual de Robinho e Cazares não funcionou, a bola não chegava ao Pratto, e ele também não fazia muita questão de procurá-la. E como nenhuma jogada coletiva apareceu, o time perdeu por 3x1 em BH para o Grêmio, que também teve muitos méritos, dos quais falarei a seguir. Outra questão prejudicial foi que o campo pequeno do estádio Independência sempre favoreceu o futebol rápido do Galo, então não concordei com a decisão de jogarem no Mineirão.

  Depois da péssima exibição e resultado, Marcelo Oliveira foi demitido antes do segundo jogo, decisão que eu não concordo. É verdade que ele cometeu muitos erros, além da falta de jogo coletivo, ele colocou no banco um jogador fenomenal que é o Rafael Carioca. Outra questão foi colocar o Pratto apenas na Copa, deixando o Fred no campeonato, sendo que, na minha opinião, o argentino é muito melhor. Ainda assim, para mim, as chances de uma virada são muito mais plausíveis com um treinador que já conhece o time e viu o que deu certo e o que não deu durante o ano. 

  Então, para o segundo jogo Diogo Giacomini, auxiliar técnico, assumiu o time interinamente. Precisando reverter um 3x1, ou seja, ganhar por dois gols de diferença, em Porto Alegre, seria praticamente uma missão impossível, porém o Galo ficou famoso por ser o time das viradas nos últimos anos. A verdade é que se Diogo não conseguisse que o time revertesse o resultado no segundo jogo, a culpa não sobraria pra ele, já se conseguisse, seria visto como herói. Na minha visão, caminho aberto para ir com tudo pro segundo jogo, com um time bem ofensivo, mas ele fez o contrário. A opção de utilizar 3 volantes não fez menor sentido, na minha opinião. E, para mim, apesar do péssimo primeiro jogo, Cazares é o jogador mais criativo que o Galo tinha disponível na posição e deveria ter sido titular.

  O jogo em si acabou sendo controlado pelo Grêmio. Pelo menos no primeiro tempo, isso não aconteceu muito por mérito do time gaúcho, mas sim pelo desmérito dos mineiros. O Galo sem meia de ligação continuou sem criatividade, e de novo, Robinho não rendeu. O rápido Luan, o "menino maluquinho", voltando de sequências de lesões, também não fez nada pelo lado direito. No intervalo, ele abriu mão de um dos volantes para colocar Maicousuel, mas também não funcionou. Quando Cazares entrou aos 21, foi o melhor do time em campo, tentando criar algo, mas isso não foi suficiente. O Grêmio passou a propôr o jogo no segundo tempo, aos pedidos de "vamos jogar" de Renato Gaúcho, e com isso, Miller Bolaños, que havia acabado de entrar, fez um gol aos 43. Aos 46, Cazares viu Grohe adiantado e marcou um golaço-aço-aço do meio de campo, que pode valer o Puskas, mas em relação ao título, não valeu nada (aqui está o gol pra quem não viu ou também quem quiser rever https://www.youtube.com/watch?v=H69vZGj3NIc).

  Por parte do Grêmio, Roger Machado havia assumido um time sem estrelas do tricolor no começo de 2015 e vinha fazendo ótimo trabalho. Montou um time muito bom, com toque de bola e disciplina tática. Esse ano estava em oitavo no campeonato e com a classificação muito bem encaminhada para as semis da Copa, após vitória fora de casa nas quartas, quando resolveu se demitir. Até fez sentido, já que o time vivia má fase e muitos diziam que o trabalho dele estava desgastante.

  Então, Renato Gaúcho assumiu a equipe. Ídolo dos gremistas, ele soube motivar o time muito bem desde que chegou. E foi muito inteligente em aproveitar tudo que o técnico anterior tinha deixado de bom, ainda aperfeiçoando. No campeonato, o time só não subiu muito, pois usou time reserva em alguns jogos, devido à Copa do Brasil. Já nesta, a motivação de Renato levou o time à final e ao título.

  O time montado por ele usava um 4-4-2 com um losango no meio. Wallace, volante forte fisicamente e muito técnico, com potencial para jogar na Europa, a frente da zaga, depois mais adiantados Ramiro e Maicon, com o Douglas sendo o camisa 10. Maicon, além de capitão, regeu esse time como ninguém, distribuindo lindos passes. Ramiro, criticado anteriormente pela torcida, fez um papel essencial de meio campista "área-a-área", marcando muito bem e se infiltrando no ataque. Na frente, Pedro Rocha e Luan formavam um ataque muito veloz, comandando pelo segundo, que é, hoje, um dos melhores jogadores do Brasil.

  Dessa forma, Renato conseguiu formar um time ajeitadinho, não chegando a ser brilhante, mas fatal. Uma defesa muito sólida com a dupla de zaga formada pelo zagueirão Geromel e o famoso zagueiro rebatedor Kannerman. Os laterais Edilson e Marcelo Oliveira não comprometem, marcando bem e também chegando ao ataque. Longe de querer comparar a qualidade técnica, mas, apesar de um desenho tático bem diferente, é um time que me lembra o Atlético de Madrid, de Simeone. Defendendo com muitos jogadores, mas com o meio campo que mantém a posse de bola com qualidade quando precisa e um ataque veloz e fatal na hora de contra atacar.

  No primeiro jogo, o time se aproveitou da desorganização do Atlético e conseguiu roubar a bola com facilidade, alternando o toque de bola com a saída em velocidade. Por isso, Pedro Rocha fez dois gols, depois acabou sendo expulso, mas também perdeu chances claras. O principal destaque, para mim, foi Maicon, que colocou algumas bolas primorosas, e, apesar da passagem apagada no São Paulo, os torcedores paulistas devem sentir falta dele, com os volantes que seu time tem hoje. No final, para delírio dos gremistas, o zagueiro Geromel fez uma jogada de um verdadeiro ponta direito originando o terceiro gol, jogada essa que Robinho e Maicousuel deveriam ter feito durante todo o jogo.

  O segundo jogo foi o que expliquei anteriormente. No primeiro tempo, o Grêmio nem precisou se esforçar muito. No segundo, jogou muito melhor e jogou mais com a bola nos pés.

   Agora, o próprio Roger Machado que iniciou a trajetória do Grêmio treinará o Galo em 2017. Já vimos que ele sabe montar um bom time e, com o tão elogiado plantel do Atlético, a expectativa é de um ótimo trabalho. Já o Grêmio, com alguns reforços pontuais e mantendo as peças atuais também pode chegar longe, ao comando de Renato.

  Para terminar, uma pequena polêmica. Renato Gaúcho afirmou após o jogo que ele não precisa de curso e estágio na Europa, pois quem sabe de futebol não precisa disso. A verdade é que na Europa os tais cursos são obrigatórios para os treinadores das principais ligas, e olha a qualidade delas. Portaluppi mostrou que sabe muito de futebol, assim como muito brasileiros, mas isso não significa que é impossível aprimorar ainda mais esse conhecimento e aos poucos construir um campeonato mais forte.



Pedro Werneck